Nintendo pede arquivamento de ação sobre preços do Switch 2 e diz que consumidores receberam "exatamente o que pagaram"
A Nintendo solicitou o arquivamento de uma ação coletiva movida nos Estados Unidos que questiona os reajustes de preço aplicados ao Nintendo Switch 2 e a outros produtos da empresa durante o período de vigência das tarifas de importação no país. Segundo a companhia, os consumidores adquiriram os produtos de forma voluntária pelos valores anunciados e, por isso, não têm direito a qualquer tipo de reembolso.
A disputa teve origem após a própria Nintendo processar o governo norte-americano em março, alegando que as tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Investimento Internacional (IEEPA) eram ilegais. Na ocasião, a empresa pediu que todos os valores pagos fossem devolvidos com juros. A partir dessa ação, dois consumidores ingressaram com um processo coletivo argumentando que a Nintendo poderia acabar sendo ressarcida duas vezes pelos mesmos custos: uma por meio do aumento dos preços cobrados dos clientes e outra pelo eventual reembolso das tarifas concedido pelo governo.
Os autores da ação afirmam representar milhões de consumidores que compraram produtos da Nintendo durante o período tarifário e pagaram preços mais altos. Eles defendem que, caso a fabricante receba o reembolso das tarifas, também deveria devolver aos clientes a parcela dos aumentos atribuída a esses encargos, além de solicitar indenizações e outras medidas judiciais.
Na resposta apresentada à Justiça, a Nintendo rejeitou esse entendimento. Segundo a empresa, a tese dos autores parte da premissa de que seria "injusto" não reduzir retroativamente os preços de produtos já vendidos após uma eventual vitória na disputa contra o governo. A companhia rebate afirmando que "não é assim que as transações comerciais funcionam" e reforça que os consumidores "receberam exatamente o que negociaram e pagaram". A fabricante também sustenta que "os reclamantes não têm direito a um reembolso simplesmente por causa de desdobramentos legais relacionados às tarifas".
Outro ponto destacado pela Nintendo é que os reajustes não refletiram diretamente o valor das tarifas. A empresa afirma ter realizado "ajustes de preço modestos e seletivos", absorvendo parte dos custos em alguns de seus principais produtos de 2025, incluindo o próprio Nintendo Switch 2. Além disso, argumenta que fatores como o aumento nos custos de memória, transporte e mão de obra também influenciaram os novos preços, tornando impossível atribuir os reajustes exclusivamente às tarifas.
A companhia ainda defendeu que os consumidores eram livres para decidir pela compra ou não de seus produtos. "Se um consumidor não quisesse pagar o preço anunciado, ele era livre para se abster de comprar o produto ou procurar produtos concorrentes", afirma o documento apresentado pela empresa. Como medida alternativa, a Nintendo também solicitou que, caso o arquivamento da ação seja negado, o caso seja encaminhado para arbitragem privada.
O processo ocorre em um momento de pressão sobre toda a indústria de games. Além da Nintendo, empresas como Microsoft e Sony também promoveram reajustes recentes em seus consoles e acessórios, citando fatores como o cenário econômico global, tarifas de importação e o aumento nos custos de produção. Paralelamente, fabricantes de hardware seguem alertando para a crise no mercado de memórias, que continua elevando os custos de componentes e pode provocar novos aumentos de preços nos próximos anos.
Fonte: GamesRadar