Shawn Layden critica recuo da Sony nos ports para PC e afirma que estratégia nunca prejudicou o PlayStation

Shawn Layden critica recuo da Sony nos ports para PC e afirma que estratégia nunca prejudicou o PlayStation

A decisão da Sony de reduzir o lançamento de exclusivos do PlayStation para PC recebeu críticas de um dos nomes mais influentes da história recente da marca. Em entrevista ao canal PSI, o ex-presidente da PlayStation, Shawn Layden, afirmou que a estratégia adotada durante as gerações do PlayStation 4 e PlayStation 5 jamais comprometeu as vendas de consoles e que abandonar esse modelo representa um erro. Segundo ele, disponibilizar jogos para PC após um período de exclusividade sempre ajudou a ampliar o alcance das franquias sem desvalorizar a plataforma.

A declaração surge poucos dias após o presidente da Sony Interactive Entertainment, Hideaki Nishino, confirmar uma mudança de direção na empresa. A partir de agora, apenas jogos multiplayer e títulos do modelo live-service terão lançamentos garantidos no PC, enquanto os grandes exclusivos single-player passarão a ser avaliados individualmente. A nova estratégia marca um distanciamento da política adotada nos últimos anos, que levou sucessos como God of War, The Last of Us, Marvel's Spider-Man e Ghost of Tsushima aos computadores após um período de exclusividade nos consoles.

Layden explicou que o objetivo dos ports sempre foi expandir o público das propriedades intelectuais da PlayStation para além dos donos de consoles. Segundo ele, limitar o acesso aos jogos significa deixar de alcançar bilhões de jogadores que utilizam outras plataformas.

"Como eu coloco minha propriedade intelectual na frente de pessoas que normalmente não a veriam? Porque 250 milhões ou 260 milhões de domicílios no mundo têm consoles. Há 8 bilhões de pessoas no planeta. Há outros 2, 3, 4 bilhões de pessoas jogando em PC, mobile ou o que for. Como eu chego até elas."

De acordo com o ex-executivo, essa estratégia também fortalece a presença das franquias em outras mídias, como cinema, televisão e quadrinhos, aumentando o reconhecimento dos personagens e histórias pelo público. Layden citou que esse tipo de exposição amplia o interesse por adaptações e produtos derivados, apontando o sucesso da série de The Last of Us como um exemplo de como a familiaridade do público com a franquia pode beneficiar toda a marca.

Outro ponto defendido por Layden é que os lançamentos tardios para PC nunca representaram perda de vendas de hardware. Para ele, quem aguardou cerca de 18 meses para jogar um exclusivo no computador dificilmente compraria um console apenas por aquele título, tornando os ports uma oportunidade de monetizar um público que estava fora do ecossistema PlayStation.

"Se alguém está esperando 18 meses para um jogo chegar ao PC, nós não perdemos uma venda para essa pessoa — ela não ia comprar o hardware de qualquer forma. Você está apenas monetizando alguém que estava completamente fora do seu ecossistema até aquele momento. Então eu não vejo isso como desvalorizar a marca; eu vejo como expandir o alcance dela."

Apesar da defesa dos ports, Layden ressaltou que a exclusividade continua sendo um dos principais pilares do mercado de consoles. Segundo ele, é justamente a existência de jogos exclusivos que cria um diferencial competitivo para o hardware e impulsiona todo o ecossistema da plataforma, incluindo vendas de consoles, crescimento da base de usuários e receitas provenientes de royalties de jogos de terceiros.

"É assim que você diferencia a plataforma… Se você quer aquela experiência, precisa comprar esta caixa. E foi isso que impulsionou as vendas de hardware, que impulsionaram os números do ecossistema, que impulsionaram os royalties de terceiros, que moveram toda a máquina."

Ao comentar a possibilidade de lançar todos os jogos em todas as plataformas simultaneamente, Layden alertou que essa estratégia pode enfraquecer a identidade de uma marca de hardware.

"Se você disponibiliza tudo em todo lugar, você vira uma commodity. E quando você vira uma commodity, está apenas competindo por preço, e isso é uma corrida para o fundo do poço."

As declarações reforçam um debate que ganhou força nos últimos anos dentro da indústria. Enquanto a Sony passa a rever sua estratégia para o PC, executivos como Shawn Layden e Shuhei Yoshida continuam defendendo que os lançamentos tardios representam uma forma eficiente de ampliar o público das franquias sem comprometer o valor da plataforma PlayStation.

Fonte: Wccftech