Ex-desenvolvedor de The Last of Us diz que Naughty Dog existe para impulsionar o PlayStation
A Naughty Dog pode ter uma relação diferente com a necessidade de gerar lucro diretamente por meio de seus jogos. Essa é a avaliação de Matt Radford, ex-artista de efeitos visuais do estúdio que trabalhou em The Last of Us e Uncharted 4. Durante participação no podcast Kiwi Talkz, ele afirmou que a principal função da desenvolvedora seria ajudar a vender o hardware da Sony.
É importante destacar que a declaração representa a interpretação de um ex-funcionário, e não uma posição oficial da Sony ou da própria Naughty Dog. Para Radford, entretanto, essa lógica ajudaria a explicar como o estúdio consegue passar anos desenvolvendo grandes jogos single-player, com equipes numerosas e custos extremamente elevados, sem necessariamente seguir a mesma pressão por rentabilidade imediata enfrentada por outras empresas do setor.
“Pelo que entendo, a Naughty Dog existe para vender hardware da Sony”, afirmou Radford durante a conversa. Na visão do ex-desenvolvedor, o PlayStation se beneficia de ter produções de grande porte que funcionam como vitrines de sua plataforma, mesmo que o retorno financeiro de cada título não seja necessariamente o único objetivo considerado pela empresa.
Jogos como vitrine para o PlayStation
Radford estende esse raciocínio aos grandes estúdios proprietários de empresas como Sony, Microsoft e Nintendo. Segundo ele, uma companhia interessada exclusivamente em maximizar a venda de cópias teria mais incentivos para disponibilizar seus jogos no maior número possível de plataformas.
No caso da Sony, franquias como God of War, The Last of Us e Spider-Man ajudam a diferenciar o PlayStation de seus concorrentes. Embora a estratégia da empresa tenha mudado nos últimos anos, com vários títulos chegando posteriormente ao PC, os consoles ainda funcionam como o principal ponto de entrada para essas produções.
O ex-desenvolvedor também comentou sobre os custos envolvidos nesse tipo de projeto. Radford estima que um jogo com o nível de produção associado à Naughty Dog poderia chegar a US$ 600 milhões, aproximadamente R$ 3 bilhões, ou até mais. A cifra, porém, é uma estimativa pessoal e nenhum orçamento desse valor foi confirmado oficialmente pela Sony ou pela Naughty Dog.
Produções comparadas a grandes obras arquitetônicas
Ao explicar sua visão sobre o trabalho do estúdio, Radford comparou jogos como Uncharted 4 e The Last of Us Part II a antigas catedrais. A ideia é que essas obras representam períodos específicos em que determinados profissionais dedicavam enorme quantidade de tempo e habilidade a trabalhos que dificilmente seriam reproduzidos da mesma maneira atualmente.
Para ele, produções como Uncharted 4, The Last of Us Part II e o futuro Intergalactic: The Heretic Prophet podem acabar sendo lembradas dessa forma. O ex-desenvolvedor destaca principalmente o trabalho humano envolvido em áreas como atuação, roteiro, modelagem e arte.
A comparação também dialoga com o avanço da inteligência artificial na indústria. A tecnologia não foi apontada diretamente por Radford como responsável por essa mudança, embora a Sony já tenha classificado a IA como uma tecnologia importante e promissora para sua estratégia.
Modelo enfrenta mudanças na indústria
Apesar de defender a importância desse modelo, Radford reconhece que ele enfrenta desafios. Os grandes lançamentos first-party da Sony estão cada vez mais espaçados, enquanto a companhia também vem levando parte de seus jogos para o PC após o lançamento nos consoles.
Essa estratégia reduz, em certa medida, a exclusividade do PlayStation como argumento de compra, já que jogadores de PC podem eventualmente ter acesso a algumas das principais produções da empresa. Ainda assim, a Sony continua investindo em projetos de grande orçamento e campanhas single-player.
Radford afirma torcer para que esse modelo continue existindo, principalmente porque teme que o custo crescente de produções desse porte possa tornar cada vez mais difícil financiar jogos de ação focados em narrativa. No caso da Naughty Dog, Intergalactic: The Heretic Prophet, previsto para 2027, e os projetos relacionados a The Last of Us indicam que o estúdio ainda possui uma longa fila de produções em desenvolvimento.
A avaliação de Radford, portanto, apresenta uma interpretação sobre a função estratégica da Naughty Dog dentro da Sony, mas não confirma que a empresa considere o estúdio exclusivamente como uma ferramenta para vender consoles. A relação entre vendas de hardware, software e exclusividades continua sendo uma questão mais ampla da estratégia do PlayStation.
Fonte: GamesRadar