Peter Molyneux lamenta abandono do sistema de moralidade no reboot de Fable
O criador original da série Fable, Peter Molyneux, manifestou publicamente seu desapontamento com uma das mudanças mais significativas no reboot da franquia em desenvolvimento pela Playground Games. O novo jogo vai abandonar o icônico sistema visual de moralidade, que representava as escolhas do jogador por meio de uma auréola brilhante sobre a cabeça dos personagens bons e chifres de demônio nos vilões.

Em declaração recente, Molyneux classificou a decisão como “realmente lamentável”. Ele reconheceu as dificuldades técnicas envolvidas na implementação do sistema, especialmente em um mundo com definição gráfica extremamente alta e suporte a diferentes gêneros de personagens. “É difícil fazer isso porque, para fazer bem em um mundo com definição incrivelmente alta, fica ainda mais complicado. E fazer isso permitindo diferentes gêneros dobra e triplica o trabalho”, explicou o criador. Apesar disso, ele expressou esperança de que o novo título mantenha algum tipo de alinhamento entre o bem e o mal: “Mas eu me pergunto se vai haver um pouco de alinhamento bom e mal. Eu espero que sim”.
Embora o sistema visual clássico esteja sendo retirado, a moralidade não será eliminada por completo do reboot de Fable. Ralph Fulton, fundador e gerente geral da Playground Games, esclareceu em janeiro que a abordagem agora prioriza nuances e a subjetividade presente no mundo real. “Não existe o bem objetivo, não existe o mal objetivo. Você não conseguiria fazer com que todas as pessoas do mundo concordassem que algo é mau ou que algo é bom. Isso simplesmente não acontece. Essa diversidade de opinião é algo muito evidente nos dias de hoje”, afirmou Fulton.
Essa nova filosofia reflete diretamente na ausência dos halos e chifres. No reboot, a forma como o jogador é percebido pelos NPCs dependerá dos valores e crenças individuais de cada personagem do mundo. O que é visto como heroico por uns pode ser interpretado como vil por outros, criando uma dinâmica mais complexa e realista, onde o “anjo” de um pode ser o “diabo” de outro.
A mudança representa uma evolução conceitual para a franquia, que sempre se destacou pelo humor irreverente e pela forma lúdica de retratar escolhas morais. Enquanto Molyneux lamenta a perda de um elemento visual tão marcante e memorável, a Playground Games aposta em uma narrativa mais madura e alinhada com as discussões contemporâneas sobre moralidade e perspectivas múltiplas.
Fonte: PC Gamer