Mercado de games dos EUA sofre forte retração em julho com queda de 29% nos gastos com consoles

Mercado de games dos EUA sofre forte retração em julho com queda de 29% nos gastos com consoles

O mercado de videogames dos Estados Unidos apresentou uma forte desaceleração em julho, segundo dados da Circana. Os gastos dos consumidores com hardware caíram 29% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto as vendas de jogos físicos atingiram o menor nível desde o início do acompanhamento do mercado, em 1995. Os números indicam um cenário de maior cautela entre os consumidores e levantam dúvidas sobre o impacto dos preços elevados dos consoles.

A retração no hardware chama atenção porque todas as principais plataformas venderam menos unidades na comparação anual. O PlayStation 5 registrou queda de 6%, enquanto o Xbox Series X|S recuou 18%. A situação foi ainda mais expressiva no Nintendo Switch 2, que apresentou redução de 51% nas unidades vendidas durante julho.

Mesmo com a queda, o PS5 terminou o mês como o console que mais gerou receita nos Estados Unidos. O Switch 2, por outro lado, continuou liderando em quantidade de unidades comercializadas. Seu desempenho acumulado ainda é positivo: após 14 meses no mercado, o novo console da Nintendo está 11% à frente do ritmo de vendas do Switch original considerando o mesmo período após o lançamento de cada aparelho.

Preço dos consoles pesa sobre o consumidor

O dado mais preocupante é que o gasto com hardware em julho ficou próximo daquele registrado em julho de 2020, quando a indústria enfrentava a escassez de componentes provocada pela pandemia e era extremamente difícil encontrar consoles nas lojas.

A diferença agora é que a disponibilidade dos aparelhos não parece ser o principal problema. Os consoles estão presentes no mercado, mas o preço médio aumentou 16%, enquanto os gastos totais com hardware despencaram 29%. A combinação sugere que o custo elevado dos dispositivos pode estar afastando consumidores ou fazendo com que eles adiem a compra.

Outro fator é o momento do atual ciclo de hardware. PlayStation 5 e Xbox Series X|S já estão avançados em suas respectivas gerações, enquanto a expectativa por futuros consoles pode fazer com que parte dos consumidores prefira esperar antes de realizar um investimento elevado.

Jogos físicos atingem menor nível da história

O cenário das mídias físicas é ainda mais negativo. As vendas de jogos físicos novos alcançaram em julho o menor patamar registrado desde 1995, quando a Circana começou a acompanhar esse mercado.

No acumulado do ano, o PlayStation respondeu por 32% dos gastos com jogos físicos novos, enquanto a Nintendo ficou com impressionantes 63%. O resultado ganha relevância diante da recente decisão da Sony de encerrar a fabricação de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028.

Apesar do recorde negativo, a queda das mídias físicas também precisa ser analisada dentro de uma transformação estrutural do mercado. A migração para compras digitais vem reduzindo gradualmente o peso dos discos, tornando cada vez mais comum que consumidores adquiram jogos diretamente pelas lojas virtuais dos consoles ou pelo PC.

Acessórios também sentem a retração

O mercado de acessórios acompanhou a tendência negativa. Os consumidores americanos gastaram US$ 178 milhões no segmento durante julho, uma queda de 6% na comparação anual. Esse foi o menor resultado para um mês de julho desde 2019, quando os gastos chegaram a US$ 144 milhões.

Entre as categorias analisadas, os controles para jogos de corrida tiveram uma redução de 26% em faturamento. Nem todos os segmentos, porém, apresentaram queda. Cases e organizadores registraram crescimento expressivo de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O único segmento acompanhado pela Circana que apresentou crescimento foi o de assinaturas, que avançou 6%, repetindo o comportamento observado em junho. Esse resultado pode indicar uma mudança no comportamento do consumidor, que estaria preferindo aproveitar os jogos e serviços que já possui em vez de desembolsar valores elevados por novos produtos.

Consumidores podem estar priorizando assinaturas

A combinação dos dados sugere que a retração não possui uma única causa. O aumento dos preços dos consoles parece ser um dos fatores mais importantes, mas o custo de vida elevado também pode estar influenciando decisões de compra. Hardware e jogos são gastos que muitos consumidores conseguem adiar quando o orçamento doméstico está mais apertado.

Ao mesmo tempo, o crescimento das assinaturas aponta para uma possível mudança de prioridade. Serviços como Xbox Game Pass e PlayStation Plus permitem acesso a grandes catálogos por uma cobrança recorrente, o que pode parecer mais atraente para jogadores que não querem comprar jogos individualmente a preços elevados.

O desempenho de julho, portanto, combina dois movimentos diferentes. De um lado, existe uma queda significativa na procura por hardware e jogos físicos; de outro, os consumidores continuam dispostos a gastar com serviços que oferecem acesso recorrente a conteúdos. A indústria americana entra, assim, em uma fase de maior cautela, com preços, transição digital e o envelhecimento da atual geração de consoles influenciando diretamente as decisões do público.

Fonte: Eurogamer