Gabe Newell rebate acusações de monopólio e defende Steam em processo nos EUA
O fundador da Valve, Gabe Newell, prestou depoimento em um processo antitruste nos Estados Unidos e contestou as acusações de que o Steam opera como um monopólio ilegal no mercado de jogos para PC. Durante a audiência, o executivo rejeitou a ideia de que a plataforma imponha condições abusivas a desenvolvedores ou puna empresas que vendem seus jogos por preços menores em lojas concorrentes.
A ação coletiva em andamento argumenta que a Valve utiliza sua posição dominante para forçar estúdios e publishers a seguirem determinadas práticas comerciais. Entre as acusações está a existência de uma suposta regra informal que desencorajaria preços mais baixos em outras plataformas digitais. Segundo documentos divulgados pela Bloomberg, Newell negou repetidamente que essa política exista.
“A Valve não tem uma política ou prática de ditar preços a desenvolvedores de software terceiros em outras plataformas”, afirmou o executivo durante o depoimento. Ao ser questionado sobre a reação da empresa caso um jogo fosse vendido mais barato em outra loja, Newell respondeu que não entendia a premissa da pergunta e reforçou que muitos parceiros e clientes estão satisfeitos com os serviços oferecidos pelo Steam.
Steam não é monopólio, afirma Newell
Ao abordar diretamente as acusações de monopólio, Newell argumentou que os consumidores possuem diversas alternativas para comprar jogos no PC. Segundo ele, plataformas como a Microsoft Store, a Epic Games Store e lojas próprias de desenvolvedores competem pela atenção dos jogadores.
“Os consumidores têm uma enorme variedade de opções”, declarou o executivo, defendendo que o sucesso do Steam foi conquistado por meio de recursos, funcionalidades e investimentos feitos ao longo dos anos, e não por práticas anticompetitivas.
O tema voltou a ganhar força após uma pesquisa divulgada pela distribuidora Rokky em 2025 apontar que 72% dos desenvolvedores entrevistados consideravam o Steam um monopólio. Ainda assim, especialistas do setor destacaram que grande participação de mercado não significa automaticamente a existência de um monopólio sob a ótica legal.
Taxa de 30% continua no centro da disputa
Grande parte do debate gira em torno da taxa padrão de 30% cobrada pela Valve sobre as vendas realizadas no Steam. Os autores da ação alegam que a relevância da plataforma torna economicamente inviável para muitos estúdios ignorarem sua presença, o que daria à empresa poder excessivo nas negociações.
A Valve, por outro lado, sustenta que sua participação de mercado é resultado da preferência dos consumidores e que desenvolvedores continuam livres para vender seus produtos em outras plataformas.
O caso segue em tramitação e pode se tornar um dos processos mais importantes para definir os limites da atuação das grandes lojas digitais de jogos para PC nos próximos anos.
Fonte: GamesRadar