Video Game History Foundation afirma que pirataria ainda é a única forma viável de preservar jogos

Video Game History Foundation afirma que pirataria ainda é a única forma viável de preservar jogos

O debate sobre a preservação dos videogames ganhou um novo capítulo após o anúncio da Sony de que encerrará a produção de mídias físicas para novos jogos do PlayStation a partir de 2028. A Video Game History Foundation (VGHF) voltou a defender que, diante da falta de alternativas legais para arquivamento de jogos digitais, a pirataria continua sendo, na prática, o único meio capaz de preservar essas obras para as futuras gerações. A declaração foi feita por Frank Cifaldi, diretor da organização, em resposta às recentes mudanças anunciadas pela indústria.

Segundo Cifaldi, a VGHF vem tentando há anos trabalhar em conjunto com a Entertainment Software Association (ESA) para encontrar mecanismos legais que permitam a preservação de jogos exclusivamente digitais por museus, bibliotecas e instituições de pesquisa. No entanto, ele afirma que as propostas apresentadas pela entidade não avançaram e que, até o momento, a indústria não ofereceu uma solução considerada viável.

"Tentamos trabalhar com a associação da indústria para encontrar um caminho legal para a preservação, mas eles se recusam a oferecer uma alternativa significativa."

A fundação argumenta que simplesmente baixar um jogo digital não garante sua preservação a longo prazo. Títulos modernos dependem de servidores, sistemas de autenticação, atualizações constantes e outros componentes online que podem deixar de funcionar no futuro. Para a organização, isso significa que, sem mecanismos legais de arquivamento, mesmo grandes lançamentos poderão se tornar inacessíveis décadas depois.

"Pedir que museus baixem uma cópia de GTA 6 e torçam para que ela funcione daqui a 50 anos não é uma solução."

A discussão ganhou força após a Sony confirmar que deixará de produzir novos jogos em mídia física para os consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028, além de anunciar o encerramento gradual das lojas digitais do PlayStation 3 e do PS Vita. Para especialistas em preservação, decisões desse tipo aumentam a preocupação com o acesso ao patrimônio histórico da indústria, especialmente em um cenário em que cada vez mais lançamentos dependem exclusivamente de plataformas digitais.

A própria Video Game History Foundation já havia alertado, em um estudo publicado anteriormente, que 87% dos jogos clássicos lançados nos Estados Unidos são considerados criticamente ameaçados, por não estarem mais disponíveis comercialmente ou por dependerem de tecnologias obsoletas. A entidade defende mudanças na legislação para permitir que instituições culturais possam preservar e disponibilizar esses títulos para fins de pesquisa, sem infringir direitos autorais.

Embora a declaração de Cifaldi não represente um incentivo à pirataria comercial, ela reforça a posição da fundação de que, na ausência de alternativas legais para conservação de jogos digitais, a preservação acaba ficando nas mãos da comunidade. A VGHF segue pressionando a indústria e seus representantes para que sejam criados mecanismos capazes de garantir que os jogos atuais permaneçam acessíveis para pesquisadores e futuras gerações.

Fonte: PC Gamer