Ubisoft aposta em Far Cry e Assassin’s Creed como pilares de plano estratégico de três anos

Ubisoft aposta em Far Cry e Assassin’s Creed como pilares de plano estratégico de três anos

Em meio a uma profunda crise financeira e a um amplo processo de reformulação interna, a Ubisoft confirmou que pretende concentrar seus esforços nas franquias mais fortes de seu portfólio para garantir estabilidade e crescimento nos próximos anos. Em entrevista à Variety, o CEO Yves Guillemot revelou que a empresa está desenvolvendo dois novos jogos da franquia Far Cry e “vários” capítulos de Assassin’s Creed, como parte de um plano estratégico de três anos que deve definir o futuro da companhia após sucessivas reestruturações e cortes internos.

Segundo Guillemot, os novos projetos estão sendo pensados para atender tanto experiências single player quanto multiplayer. No caso de Far Cry, os dois títulos já possuem codinomes internos: “Blackbird”, descrito como uma experiência tradicional da série, e “Maverick”, que será um shooter de extração, apostando em um modelo mais voltado para serviços e experiências online. A estratégia indica uma diversificação dentro da própria franquia, buscando alcançar diferentes perfis de jogadores e modelos de engajamento.

O executivo também explicou que a atual reformulação faz parte de um plano estrutural de três anos, baseado em um novo modelo organizacional chamado de “Casas Criativas”, que reorganiza os estúdios internos da empresa. De acordo com Guillemot, esse sistema, aliado a cortes de pessoal, deve permitir uma redução superior a US$ 200 milhões por ano nos custos operacionais da companhia, criando uma estrutura mais sustentável financeiramente. A proposta, segundo ele, é tornar a Ubisoft mais previsível em termos de produção, custos e lançamentos, além de aumentar o engajamento do público com suas principais franquias.

Durante a entrevista, Guillemot também destacou o papel da Tencent no futuro da empresa. Ele afirmou que a parceria vai além do suporte financeiro e inclui acesso a conhecimento estratégico sobre o mercado chinês, o que deve impulsionar a expansão de franquias como Rainbow Six na região. Segundo o CEO, “eles respeitam nossa autonomia operacional e não estão envolvidos em nossa governança ou gerenciamento diário”, mas ao mesmo tempo “trazem insights valiosos da indústria e acesso a uma rede forte de participantes ao redor da indústria global de jogadores”, reforçando o papel da Tencent como parceira estratégica e não como gestora direta.

A entrevista também abordou temas sensíveis da atual crise interna da empresa, como pressões sindicais pela saída de Guillemot do cargo e críticas ao nepotismo envolvendo seu filho, Charlie Guillemot, atualmente chefe da Vantage Studios. O CEO defendeu a decisão afirmando que a Ubisoft é uma “empresa familiar” e que a escolha foi baseada em critérios como “habilidades, histórico e adaptação ao papel”, mesmo diante de um histórico controverso de projetos liderados por Charlie, incluindo o mobile Tom Clancy’s Elite Squad e sua passagem pela startup Unagi, voltada a Web3, IA e NFTs.

O cenário de instabilidade também se reflete nas recentes demissões. No mesmo período da entrevista, a Ubisoft Toronto confirmou o desligamento de 40 funcionários, atribuindo a decisão à reestruturação interna em curso. Em comunicado à imprensa, a empresa afirmou que os cortes não devem afetar o desenvolvimento do reboot de Splinter Cell, que segue em produção. O conjunto de anúncios evidencia uma Ubisoft em processo de reconstrução, apostando fortemente em franquias consolidadas como Far Cry e Assassin’s Creed para atravessar um dos momentos mais delicados de sua história recente.

Fonte: Variety