Ubisoft amplia uso de IA generativa após reestruturação e enfrenta reação de funcionários

Ubisoft amplia uso de IA generativa após reestruturação e enfrenta reação de funcionários

Em meio a um amplo processo de reestruturação interna, a Ubisoft confirmou que pretende intensificar o uso de inteligência artificial generativa no desenvolvimento de seus jogos. O anúncio foi feito na última quarta-feira (21), junto de medidas que incluem o cancelamento de projetos, reorganização de estúdios e uma nova tentativa de tornar a empresa mais “focada em games”, após anos de prejuízos financeiros.

Segundo a companhia, a adoção mais agressiva de IA faz parte de uma estratégia para ganhar agilidade, melhorar o direcionamento criativo e tornar os processos de produção mais eficientes. No entanto, a Ubisoft não detalhou exatamente como a tecnologia será aplicada nos projetos futuros. Ainda assim, iniciativas anteriores indicam o caminho pretendido, como o sistema de Teammates, apresentado em 2025, que utiliza IA para criar NPCs capazes de reagir de forma mais natural a comandos e diálogos dos jogadores, apesar de ainda apresentar limitações na compreensão de ordens mais complexas.

A movimentação reforça um histórico recente da empresa de apostar em tendências vistas como promissoras pelo mercado. Antes da IA generativa, a Ubisoft também investiu fortemente em NFTs e tecnologias de blockchain, mantendo projetos ativos nessas áreas até hoje, mesmo diante de recepção negativa por parte de jogadores e desenvolvedores.

UBISOFT - Call for strike Following the disastrous announcements made by Mr. Yves Guillemot (cost-cutting plan, projects scrapped, end of remote working, etc.), the Solidaires Informatique union is calling for a strike on Thursday, January 22, in the morning.

Solidaires Informatique (@solinfonat.bsky.social) 2026-01-21T19:32:23.770Z

As mudanças, no entanto, já provocaram forte reação interna. O sindicato francês Solidaires Informatique anunciou a organização de uma greve parcial marcada para esta quinta-feira (22), em protesto contra as demissões recentes, o fim das políticas de trabalho remoto e possíveis alterações no sistema de reajustes salariais anuais. Em comunicado, o grupo classificou a paralisação como uma resposta direta às decisões da gestão:

“Está fora de questão deixar um chefe agir sem controle e destruir nossas condições de trabalho. Talvez eles precisem ser lembrados de que são seus funcionários que criam os jogos”.

Além disso, a Ubisoft confirmou oficialmente o encerramento do trabalho remoto, exigindo que todos os funcionários passem a atuar presencialmente cinco dias por semana. A decisão foi interpretada por muitos como uma forma de “demissão silenciosa”, já que afeta diretamente profissionais que reorganizaram suas vidas em torno do home office ou que residem longe das sedes da empresa.

Mesmo para aqueles que aceitarem o retorno integral aos escritórios, o cenário segue incerto. A liderança da Ubisoft deixou claro que novas demissões e a venda de propriedades ainda estão nos planos. Para a empresa, as medidas são necessárias para garantir “eficiência coletiva, criatividade e sucesso em um mercado AAA mais seletivo” — argumento semelhante ao usado em 2024, quando uma tentativa anterior de retorno aos escritórios também gerou protestos organizados por sindicatos.

Fonte: PC Gamer