Sindicatos prometem paralisação total na Ubisoft após decisões unilaterais da liderança
A Ubisoft pode enfrentar uma paralisação significativa de suas operações na França nos próximos dias. Cinco sindicatos que representam funcionários da empresa anunciaram uma greve conjunta como resposta direta às recentes decisões estratégicas tomadas pela liderança do estúdio, especialmente após uma nova tentativa de reestruturação para conter anos de prejuízos financeiros.
🇬🇧✊🌀 Ubisoft : enough is enough! Faced with the arbitrary decision of the CEO who doesn’t even dare talking to employees anymore, unions are calling for a strike on February 10th, 11th and 12th.
— Syndicat des Travailleureuses du Jeu Vidéo (@stjv.fr) 2026-01-28T12:10:47.000Z
STJV, Solidaires Informatique, CGT, CFE-CGC e Printemps Écologique divulgaram um comunicado conjunto na rede social BlueSky, confirmando que a paralisação está marcada para acontecer entre os dias 10 e 12 de fevereiro. Segundo as entidades, a mobilização é uma reação ao que classificam como decisões unilaterais e autoritárias por parte da alta gestão da Ubisoft, tomadas sem diálogo com os trabalhadores.
Um dos principais estopins para a greve foi a decisão da empresa de encerrar suas políticas de trabalho remoto. De acordo com os sindicatos, a Ubisoft havia firmado recentemente um novo acordo coletivo que garantia aos funcionários a possibilidade de trabalhar remotamente dois dias por semana. A revogação dessa medida foi vista como um retrocesso e um desrespeito aos compromissos assumidos anteriormente.
“Com a gerência teimosamente entrincheirada em seus métodos autoritários, estamos convocando os funcionários da Ubisoft em toda a França a aderirem a esta greve, juntamente com os cinco sindicatos presentes na empresa”, afirma o comunicado divulgado publicamente. O tom adotado pelas entidades deixa claro que a mobilização pode se intensificar caso não haja abertura para negociações.

Os sindicatos também acusam a Ubisoft de abusar tanto de seus desenvolvedores quanto de recursos públicos ao longo de sua trajetória. Segundo o texto, “sem os trabalhadores, e um financiamento público generoso, a Ubisoft jamais teria sido capaz de crescer tanto”, reforçando a cobrança para que executivos responsabilizados pelo atual cenário da empresa respondam por suas decisões. As críticas se intensificaram após o anúncio de um programa de demissão voluntária na França, que pode resultar na saída de até 200 funcionários.
Para a Solidaires Informatique, esse programa funciona como uma forma de pressão indireta, já que muitos profissionais podem se sentir forçados a aceitar a proposta após anos de gestão marcada por falta de reajustes salariais e remunerações abaixo da média do mercado. O ex-desenvolvedor Kensuke Shimoda, que atuou na divisão japonesa da Ubisoft, acrescenta que o estúdio sofre de um problema comum a grandes corporações: ao crescer demais, perdeu sua capacidade experimental e manteve em cargos de liderança pessoas incapazes de se adaptar às mudanças do mercado.
Fonte: Game Developer