Shuhei Yoshida lamenta não ter lançado vários clássicos do PS1 no Ocidente
Durante uma entrevista que celebra os 30 anos do PlayStation original, Shuhei Yoshida, ex-chefe da PlayStation e um dos principais nomes da história da marca, revelou um dos maiores arrependimentos de sua carreira na Sony: não ter lançado diversos clássicos japoneses do PS1 no Ocidente.
Em conversa com o portal GameIndustry.biz, Yoshida explicou que a decisão foi influenciada principalmente pelas limitações de espaço físico nas prateleiras das lojas da época. “Por causa do espaço limitado no varejo, tanto as equipes europeias quanto as americanas não aprovavam muitos jogos japoneses”, afirmou o executivo, lamentando a perda de oportunidades que poderiam ter ampliado o legado do console fora do Japão.

Entre os títulos que permaneceram exclusivos do mercado japonês, Yoshida citou exemplos como Policenauts, da Konami, e Deep Freeze, da Sammy, que só podiam ser adquiridos por meio de importação — um processo caro e complicado nos anos 1990. Além disso, ele comentou que o preconceito contra jogos em 2D durante a transição para o 3D também influenciou as decisões de publicação. “Havia uma percepção de que jogos em duas dimensões não deveriam ser lançados nos EUA”, explicou, mencionando que títulos como Panzer Bandit e Mega Man X3 acabaram rejeitados em favor de produções totalmente tridimensionais, como Final Fantasy VII.
Yoshida também destacou o timing como um fator importante. O PlayStation foi lançado no Japão em 1994, mas só chegou à América do Norte e à Europa um ano depois, o que deu tempo para o mercado japonês acumular um catálogo mais robusto. “Para o lançamento no Japão, tínhamos apenas um número limitado de jogos. Contávamos com Ridge Racer, que era realmente popular no Japão e ajudou a impulsionar o sistema. No entanto, quando o console chegou aos EUA e Europa em setembro de 1995, já havia muitos jogos adicionais excelentes disponíveis”, lembrou o executivo.
Hoje, Yoshida reconhece que o cenário é muito diferente. Graças às lojas digitais e às estratégias globais das empresas, os jogos japoneses se tornaram mais acessíveis mundialmente. Ele celebra o fato de que, atualmente, estúdios e editoras buscam garantir que seus títulos sejam lançados simultaneamente em múltiplas regiões, algo impensável na época do primeiro PlayStation.
Fonte: GameIndustry.biz