Shawn Layden critica modelo de jogos como serviço: “Nem chegam a ser jogos”
O ex-presidente da PlayStation, Shawn Layden, voltou a comentar sobre os rumos da indústria e expressou fortes críticas ao modelo de jogos como serviço (live-service), cada vez mais adotado por grandes empresas. Em entrevista ao portal The Ringer, o executivo afirmou que esse tipo de produto “nem chega a ser um jogo”, argumentando que o formato prioriza o engajamento repetitivo em detrimento da criatividade e da narrativa.
“Para mim, um jogo como serviço nem chega a ser um jogo”, declarou Layden. “É um dispositivo de engajamento baseado em ações repetitivas. Para mim, um jogo — pela forma como eu o entendo — precisa de três coisas: uma história, um personagem e um mundo. E Horizon, God of War e Uncharted têm esses três elementos.”
O ex-chefe da PlayStation complementou sua crítica explicando que títulos desse tipo se sustentam apenas na repetição de mecânicas e na interação entre os jogadores:
“Se você está fazendo um jogo como serviço, tudo o que precisa é de uma ação repetitiva que a maioria das pessoas consiga entender, uma forma de se comunicar nesse mundo com outras pessoas de mentalidade semelhante e o desejo [do jogador] de fazer isso de novo, e de novo, e de novo.”
As declarações de Layden surgem em meio às dificuldades da própria PlayStation em consolidar sua estratégia de jogos como serviço nesta geração. A empresa havia prometido o lançamento de 12 títulos live-service, mas boa parte foi cancelada ou adiada após resultados insatisfatórios. O único sucesso notável até o momento foi Helldivers 2, da Arrowhead Game Studios, que superou as expectativas e se tornou um dos maiores hits do ano no PS5 e PC.
Entre os projetos ainda em desenvolvimento estão Marathon, da Bungie, e um jogo multiplayer ambientado no universo de Horizon, ambos sem previsão de lançamento. A fala de Layden reflete uma visão mais tradicional sobre o design de jogos — uma que valoriza experiências narrativas completas, em contraste com o modelo de monetização contínua que domina o mercado atual.
Fonte: The Ringer