Seamus Blackley vê “martelo da IA” na nova liderança e aponta mudança estratégica da Microsoft
Para Seamus Blackley, um dos nomes mais associados à criação do Xbox original, a recente mudança no comando da divisão de games da Microsoft deixa uma mensagem clara: a empresa está apostando tudo em inteligência artificial generativa, e os jogos fazem parte direta dessa estratégia. Em entrevista ao portal GamesBeat, Blackley analisou a nomeação de Asha Sharma como nova CEO de games e afirmou que a decisão reflete diretamente a visão corporativa de Satya Nadella.
Segundo Blackley, a Microsoft realizou uma “aposta estratégica e financeira sem precedentes” em IA generativa e agora tenta usar essa tecnologia como base para redefinir todas as áreas da empresa — inclusive os games. Para explicar esse movimento, ele recorreu a uma analogia direta: “Quando você tem um martelo, tudo começa a parecer um prego”. Na visão dele, esse é exatamente o momento atual da Microsoft. “Tudo é um problema de IA generativa. Jogos, claro, também são um problema de IA generativa”, afirmou.
Para o criador do Xbox, a escolha de uma executiva com forte histórico em IA — e não de alguém com trajetória consolidada na indústria de games — é coerente com essa lógica interna. “No mundo do Satya, tudo é um problema de IA generativa. Então você coloca uma pessoa de IA para comandar os games… para trazer a IA generativa e tentar revolucionar os jogos”, declarou. Ele também fez uma comparação com lideranças do passado, afirmando que nomes como Peter Moore, Andrew Wilson e Reggie Fils-Aimé vieram para os games “porque queriam estar nos games”, enquanto, no caso de Sharma, o movimento ocorre porque “o chefe dela acredita que os games vão ser guiados por IA”.
Blackley ainda relembrou o espírito por trás da criação do Xbox original, destacando que a equipe da época lutou para manter uma identidade clara e focada nos jogadores. “Isso aqui é para jogadores. Não vamos deixar a Microsoft transformar isso em um dispositivo a serviço da agenda corporativa”, afirmou, ao comparar aquele momento com o cenário atual, em que o Xbox tenta se redefinir entre serviços por assinatura, multiplataforma, cloud gaming e novas estratégias de monetização.
Apesar do ceticismo em relação à capacidade de uma liderança sem histórico em games resolver os dilemas atuais da marca, Blackley reconhece que, do ponto de vista corporativo, a decisão faz sentido. Segundo ele, Nadella precisa mostrar aos acionistas, à imprensa e ao mercado que está totalmente comprometido com o investimento em IA. “Ele precisa mostrar que acredita que a IA generativa vai consertar os games e torná-los lucrativos. Ele precisa fazer esse movimento. Acho que ele não tinha escolha”, concluiu.
Fonte: GamesRadar