PlayStation domina a Black Friday enquanto Xbox enfrenta queda histórica nas vendas

PlayStation domina a Black Friday enquanto Xbox enfrenta queda histórica nas vendas

O cenário da última Black Friday trouxe resultados que acenderam alertas no mercado de consoles. Enquanto o PlayStation registrou seu melhor desempenho em anos, o Xbox viveu a sua pior participação em uma semana tradicionalmente decisiva para a indústria. Dados divulgados pelo analista Mat Piscatella, da Circana, mostram que o Xbox sequer apareceu entre os três consoles mais vendidos nos Estados Unidos — uma ausência que revela problemas muito maiores do que simplesmente falta de desconto.

As informações indicam que a Sony conquistou a liderança absoluta do período, responsável por 47% das vendas totais, impulsionada por promoções agressivas que chegaram a até 40% de desconto. Tanto a edição digital quanto o modelo com leitor do PS5 foram amplamente ofertados, chamando a atenção de consumidores que buscavam consoles de atual geração a preços competitivos. Em segundo lugar surgiu o Nintendo Switch 2, representando 24% das vendas e mostrando força mesmo às vésperas de seu primeiro ano de mercado.

A grande surpresa ficou com o terceiro colocado: o NEX Playground. O pequeno console Android voltado para crianças, equipado com sensores de movimento, superou gigantes tradicionais ao capturar 14% de participação. A proposta acessível, combinada ao apelo familiar, garantiu ao dispositivo um espaço inesperado no pódio internacional — algo raro para produtos desse segmento.

O Xbox, por outro lado, não conseguiu acompanhar os concorrentes. De acordo com Piscatella, produtos que não oferecem reduções de preço simplesmente não registram aumento de vendas em períodos sazonais. E foi exatamente o que aconteceu. A Microsoft não promoveu descontos para os consoles Series X ou S, e hoje o Series X chega a custar US$ 650 nos EUA — um salto considerável em relação ao lançamento por US$ 500. O valor, inclusive, coloca o aparelho acima de ofertas rápidas do próprio PS5 Pro, que chegou a alcançar preços iguais ou inferiores durante eventos promocionais.

Esses números escancaram uma mudança clara na estratégia da Microsoft. A empresa vem deslocando seu foco para software e serviços, como Game Pass e xCloud, com relatos de que quantidades menores de consoles têm sido enviadas ao varejo. O reflexo disso foi percebido até em redes como a Costco, que retiraram produtos Xbox de suas lojas online nos EUA e Reino Unido. O momento também é agravado pelo aumento global no custo de componentes como RAM e SSD, pressionados por data centers de IA — um cenário que dificulta qualquer plano de retorno agressivo ao setor de hardware.

No campo dos serviços, o xCloud continua apresentando crescimento no tempo de uso por parte dos assinantes. Ainda assim, a Microsoft permanece em silêncio quanto aos números atualizados do Game Pass, algo que tem gerado questionamentos sobre a real evolução da plataforma.

O futuro do Xbox aponta para um hardware premium, caro e voltado para um público específico. E essa próxima geração não enfrentará apenas a Sony: PCs compactos no formato de console, como a futura Steam Machine da Valve (prevista para 2026), devem tornar a disputa ainda mais fragmentada. Em um mercado que se encaminha para escassez de componentes e para um possível encolhimento de competidores tradicionais, a ausência de concorrência saudável pode se tornar um risco real — algo que a própria Sony já sentiu no passado, como no lançamento turbulento do PS3.

Por enquanto, o que se vê é um domínio absoluto do PlayStation e uma perda significativa de tração do Xbox, revelando um período desafiador para a divisão de hardware da Microsoft.

Fonte: Gizmodo