Patente da Sony pode revolucionar armazenamento e reduzir jogos AAA para instalações de apenas 100 MB

Patente da Sony pode revolucionar armazenamento e reduzir jogos AAA para instalações de apenas 100 MB

Uma nova patente registrada pela Sony reacendeu o debate sobre o futuro do armazenamento nos consoles e pode representar uma mudança estrutural na forma como jogos são distribuídos e executados. A tecnologia descreve um sistema híbrido que combina download local mínimo com streaming inteligente de assets, permitindo que jogos de grande porte — hoje com mais de 100 GB — possam iniciar com instalações de cerca de 100 MB em alguns cenários.

A proposta parte de um princípio simples: manter localmente apenas os arquivos essenciais para execução do jogo, como o executável, launcher e componentes centrais de sistema, enquanto os elementos mais pesados — texturas de alta resolução, áudios, modelos detalhados e outros assets gráficos — passam a ser transmitidos sob demanda pela internet, conforme o jogador avança pelas áreas e fases do game. Dessa forma, o jogo continua rodando localmente no console, evitando problemas clássicos do cloud gaming, como input lag, latência elevada e instabilidade na resposta de comandos.

Diferente de serviços tradicionais de streaming de jogos, o código principal permanece sendo processado pelo hardware do console. Isso significa que a jogabilidade, física, controles e lógica continuam totalmente locais. O streaming é aplicado apenas aos dados visuais e sonoros de grande volume, criando um modelo híbrido que tenta unir o melhor dos dois mundos: execução local + distribuição dinâmica de conteúdo.

“A proposta da empresa é permitir que os consoles PS5 e futuros modelos como o PS6 rodem jogos com instalações locais de apenas 100 MB em alguns casos.”

Como funciona a transmissão seletiva de assets

O sistema, descrito como “Asset Streaming System and Method”, opera por separação de camadas.
Os componentes críticos ficam instalados no dispositivo, enquanto os assets pesados são carregados da nuvem de forma contínua e inteligente. Conforme o jogador se desloca pelo mapa, o sistema baixa os arquivos necessários para aquela região e remove automaticamente os que não são mais usados, criando um ciclo dinâmico de cache.

“Já os elementos de mídia, que consomem a maior parte do espaço mas não precisam estar disponíveis a todo momento, são carregados gradualmente da nuvem.”

Em conexões rápidas, o jogador teria acesso à experiência completa, com texturas e sons em alta qualidade. Em conexões mais lentas, o sistema pode recorrer a texturas de baixa resolução armazenadas localmente, priorizando estabilidade e continuidade da jogabilidade. Sem conexão, o jogo ainda poderia rodar, mas com limitações técnicas e visuais.

Impacto direto no futuro do PS5 e da próxima geração

A patente também se conecta diretamente a um problema real do mercado: o aumento dos preços de SSDs e memória RAM, impulsionado pela alta demanda de data centers voltados à inteligência artificial. Isso tem tornado cada vez mais caro expandir armazenamento em consoles, forçando jogadores a deletarem jogos para liberar espaço.

Se essa tecnologia se tornar viável comercialmente, ela pode:

  • Reduzir drasticamente a necessidade de upgrades de SSD
  • Diminuir o custo estrutural de consoles futuros
  • Evitar que jogos da próxima geração ultrapassem facilmente a barreira dos 200 GB
  • Aliviar a pressão sobre o design de hardware do PS6, que não precisaria necessariamente vir com SSDs muito maiores que os atuais

A Sony já havia registrado uma patente semelhante em julho de 2025, mas com arquitetura técnica diferente, o que indica que a empresa está experimentando múltiplas abordagens para resolver o mesmo problema estrutural: o crescimento insustentável do tamanho dos jogos AAA.

Limites e desafios da tecnologia

Apesar do potencial disruptivo, ainda existem desafios importantes. A dependência de internet rápida é um fator crítico, especialmente em mercados com infraestrutura desigual. Além disso, permanece a dúvida sobre impactos na fidelidade visual, consistência de qualidade e estabilidade em longas sessões de jogo.

Mesmo assim, a proposta representa uma mudança conceitual relevante: em vez de armazenar jogos inteiros localmente, o console passa a funcionar como um hub de execução, enquanto os dados se tornam dinâmicos e adaptativos.

Fonte: Tech4Gamers