Nintendo remove SmileBASIC 4 da eShop após exploit abrir caminho para homebrew no Switch 2
A Nintendo retirou o aplicativo SmileBASIC 4 da eShop em diferentes regiões após a descoberta de uma vulnerabilidade que permite executar códigos não oficiais no Switch 2. A remoção aconteceu um dia depois da divulgação do ns2jb, exploit que utiliza o programa para explorar falhas de segurança e executar homebrew no console.
O aplicativo, lançado originalmente para o primeiro Nintendo Switch, desapareceu das lojas digitais da América do Norte e da Europa na quinta-feira (22). Usuários também relataram sua remoção da eShop japonesa. Até o momento, a Nintendo não comentou publicamente a decisão.
O ns2jb foi divulgado na quarta-feira (21) pelo pesquisador de segurança Sammy Hajhamid, conhecido como pepsipu. Segundo ele, a exploração funciona no firmware 23.0.1, apontado no relato como a versão mais recente do console, e não exige modificações físicas, como a instalação de um chip.
Como funciona o exploit ns2jb no Switch 2?
O ataque aproveita a retrocompatibilidade do Switch 2 para executar o SmileBASIC 4, desenvolvido para o console anterior. De acordo com a documentação técnica publicada pelo pesquisador, o aplicativo não está sujeito a algumas das mesmas proteções aplicadas aos jogos nativos do novo hardware.
A vulnerabilidade inicial estaria em um erro de estouro de inteiro de 32 bits no interpretador BASIC. Em determinadas condições, operações realizadas ao remover elementos de um array podem produzir valores incorretos e contornar uma verificação dos limites da memória.
Isso permite leituras e gravações fora das áreas de memória previstas para o aplicativo. O ataque então alcança o módulo de sistema fs, responsável pelo sistema de arquivos, explorando outra falha relacionada ao processamento de caminhos malformados.
Segundo o relato técnico, essa etapa permite substituir o executável recebido pelo carregador do console por código controlado pelo atacante, viabilizando a execução de código com as permissões de um módulo comum do sistema.
O pesquisador descreveu o ns2jb como o primeiro exploit desse tipo para o Switch 2. A descoberta não significa, porém, que todas as proteções do console tenham sido quebradas.
Mario Kart World modificado demonstra as possibilidades
Uma das demonstrações mais comentadas envolve Mario Kart World, exclusivo do Switch 2. O jogo foi modificado para incluir personagens que não fazem parte de seu elenco original, como Cinnamoroll, Peter Griffin, Hatsune Miku e Steve, de Minecraft.
O vídeo da demonstração ganhou grande repercussão nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações no X.
Outros desenvolvedores também demonstraram avanços após a divulgação do exploit, incluindo a execução de aplicações homebrew e testes com a API gráfica Vulkan.
Esses resultados indicam que o ns2jb pode abrir espaço para experimentos técnicos, modificações de jogos e ferramentas criadas pela comunidade, embora ainda existam limitações importantes.
O que já é possível fazer com o jailbreak?
O ns2jb permite executar código não oficial no ambiente de usuário, mas não oferece controle irrestrito sobre o sistema operacional do Switch 2.
Entre as possibilidades apontadas estão:
- Executar aplicações homebrew.
- Desenvolver ferramentas para pesquisa e engenharia reversa.
- Modificar jogos compatíveis.
- Acessar arquivos de salvamento.
- Trabalhar com boa parte dos periféricos disponíveis.
Por outro lado, o exploit ainda não oferece acesso ao kernel nem permite instalar um firmware personalizado. Portanto, não representa uma solução completa de desbloqueio do console.
O procedimento também tem limitações técnicas: exige uma versão específica do SmileBASIC 4, espaço livre no arquivo de salvamento e um computador na mesma rede para executar parte do processo. Além disso, o exploit é do tipo tethered, ou seja, precisa ser executado novamente após o desligamento do console.
O pesquisador também mencionou a possibilidade de desenvolver uma abordagem baseada no WebKit, o componente de navegação utilizado pelo sistema. Uma alternativa desse tipo poderia reduzir a dependência de um aplicativo distribuído pela eShop, mas não há confirmação de quando isso aconteceria.
Remoção do SmileBASIC 4 não afeta quem já possui o aplicativo
A retirada da loja impede novas compras pelos canais afetados, mas não significa que o aplicativo tenha sido automaticamente removido dos consoles em que já estava instalado.
Usuários relataram que o programa ainda poderia ser encontrado por alguns caminhos dentro do próprio sistema da Nintendo. A disponibilidade por esses meios, entretanto, pode mudar.
O desenvolvedor Gezine, que também divulgou uma vulnerabilidade de execução de código em ambiente de usuário para os dois consoles, afirmou que o SmileBASIC 4 não é estritamente necessário para todas as possibilidades de exploração. Ele também recomendou cautela antes de atualizar o firmware apenas para tentar obter acesso ao aplicativo.
A Nintendo já enfrentou situações semelhantes no passado. Em 2016, a empresa retirou o SmileBASIC da eShop do Nintendo 3DS após a descoberta do smilehax, uma vulnerabilidade que permitia executar código no portátil.
Nintendo pode corrigir as vulnerabilidades em futuras atualizações
O futuro do ns2jb depende, em parte, da resposta da Nintendo e dos desenvolvedores envolvidos. A falha presente no interpretador BASIC pode ser corrigida por meio de uma atualização do próprio aplicativo. Já a vulnerabilidade no módulo de sistema fs exigiria uma correção no firmware do console.
Atualizações obrigatórias para determinados recursos online podem acabar impedindo que usuários continuem utilizando o exploit caso a Nintendo corrija as falhas em uma nova versão do sistema.
O código do ns2jb foi publicado no GitLab sob uma licença aberta, permitindo que outros pesquisadores analisem o funcionamento da ferramenta e desenvolvam projetos relacionados.
Por enquanto, o avanço representa uma nova possibilidade para a comunidade de homebrew no Switch 2, mas não equivale a um desbloqueio completo nem garante que o uso do exploit seja livre de riscos, incluindo possíveis medidas contra consoles que violem os termos de serviço da Nintendo.
Fontes: Nintendo Life e The Verge