“Não é mais o game”: DLSS 5 gera críticas de desenvolvedores e levanta debate sobre impacto artístico

“Não é mais o game”: DLSS 5 gera críticas de desenvolvedores e levanta debate sobre impacto artístico

A nova tecnologia DLSS 5, anunciada pela NVIDIA na última segunda-feira (16), continua repercutindo de forma polêmica na indústria. Embora a proposta seja avançar em desempenho e qualidade visual por meio de inteligência artificial, diversos desenvolvedores vêm questionando a forma como o recurso interfere diretamente no resultado final dos jogos.

Entre as críticas mais contundentes está a de Mike York, que trabalhou em Red Dead Redemption 2. Para ele, a tecnologia vai muito além de ajustes técnicos, alterando profundamente a imagem original concebida pelos criadores. “O que estou dizendo é que essa é uma re-renderização completa por IA. Não é mais o game. Isso faz sentido? Isso é assustador”, afirmou ao comentar o funcionamento do recurso.

A insatisfação também foi compartilhada por Cullen Dwyer, que vê no DLSS 5 um exemplo claro da distância crescente entre artistas e empresas de tecnologia. Segundo ele, a escolha do nome sugere uma evolução natural de técnicas anteriores, quando na prática representa algo muito mais invasivo. “Apresentar a tecnologia com o nome DLSS, implicando, portanto, que vai ser o padrão, é insultante e assustador”, declarou.

Outros profissionais apontam preocupações mais amplas sobre o impacto criativo da ferramenta. Andi Santagata, por exemplo, afirma que o recurso ignora intenções artísticas ao “adivinhar” como um jogo deveria parecer. “Você nunca vai ter a intenção real dos desenvolvedores com essa coisa ligada”, explicou. A crítica é reforçada por relatos de um desenvolvedor anônimo, que teme que o foco em hiper-realismo acabe tornando os jogos visualmente mais uniformes.

A discussão também chegou a profissionais de outras áreas criativas. A artista Karla Ortiz, conhecida por trabalhos em produções como Doutor Estranho, Pantera Negra e Jurassic World, defende que a tecnologia deveria ser repensada. “Se desenvolvedores quisessem tender ao hiper-realismo, eles fariam isso. Isso também muda aspectos-chave como as características de personagens, pontos focais e iluminação”, afirmou.

Do lado da empresa, o posicionamento é diferente. Jensen Huang declarou que os críticos “estão errados” e não compreenderam o potencial da novidade. A NVIDIA também reforçou que os desenvolvedores terão controle sobre a intensidade e aplicação do DLSS 5, embora relatos indiquem que alguns estúdios não foram informados previamente sobre o uso de seus jogos em demonstrações da tecnologia.

O debate em torno do DLSS 5 expõe um conflito cada vez mais presente na indústria: o equilíbrio entre avanços tecnológicos baseados em IA e a preservação da identidade artística dos jogos. À medida que essas ferramentas evoluem, cresce também a discussão sobre até que ponto elas devem interferir na visão original dos criadores.

Fonte: Kotaku