Microsoft cresce forte com nuvem e IA, mas divisão de games puxa queda no Xbox
A Microsoft divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre do ano fiscal de 2026, registrando um desempenho robusto impulsionado principalmente por seus serviços de nuvem. A companhia alcançou uma receita de US$ 81,3 bilhões e um lucro líquido de US$ 30,9 bilhões, representando crescimentos de 17% e 23%, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar dos números positivos no geral, o setor de games voltou a apresentar retração e destoou do restante do portfólio da empresa.

O grande destaque do trimestre foi o segmento de Nuvem Inteligente, que engloba Azure e produtos de servidor. Essa divisão gerou US$ 32,9 bilhões em receita, mais que o dobro dos US$ 14,3 bilhões obtidos pela área de Computação Pessoal, que reúne Windows, Surface e Xbox. No total, os serviços de nuvem da Microsoft ultrapassaram US$ 50 bilhões em receita no trimestre, um avanço de 26% ano a ano, enquanto o Azure e outros serviços em nuvem cresceram expressivos 39%.
Já a divisão de Computação Pessoal foi a única a registrar queda, com retração de 3% na receita. Segundo a própria Microsoft, o principal fator para esse desempenho negativo foi o setor de jogos. A receita de hardware do Xbox caiu 32% em relação ao ano anterior, mantendo uma tendência de queda que já dura três anos fiscais consecutivos. O segmento de games como um todo recuou 9%, enquanto conteúdo e serviços, incluindo o Game Pass, apresentaram queda de 5%, reflexo de um desempenho excepcional de títulos first-party no ano passado, segundo a empresa.

No lado do Windows, o Windows 11 atingiu a marca de 1 bilhão de usuários, um crescimento de 45% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelo fim do suporte ao Windows 10. Ainda assim, a receita com OEMs e dispositivos Windows cresceu apenas 1% no período. Embora as vendas de PCs tenham sido beneficiadas pela necessidade de atualização de sistemas e pela escassez global de memória RAM, a Microsoft reconhece que o segmento perdeu participação de mercado e enfrentou críticas relacionadas à estabilidade do sistema.
Queda histórica do Xbox reacende rumores sobre fim do console físico e foco total na nuvem
No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, a receita de hardware do Xbox despencou 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. Trata-se do terceiro ano fiscal consecutivo de retração nas vendas de consoles, reforçando a percepção de que o Xbox Series X|S já não consegue sustentar tração no mercado. Mesmo no fim de ano, tradicionalmente o auge das vendas de consoles, o crescimento sequencial foi o pior desde 2014, somando apenas US$ 450 milhões — um número extremamente baixo quando comparado aos saltos bilionários vistos em anos anteriores.

O desempenho fraco não se limitou ao hardware. O segmento de conteúdo e serviços do Xbox, que inclui vendas digitais e o Game Pass, também caiu 5%. A Microsoft atribui esse recuo a um desempenho first-party mais forte no ano passado, mas o mercado enxerga sinais mais profundos. A ausência de um grande lançamento capaz de impulsionar o ecossistema no Natal e o impacto menor do novo Call of Duty em comparação com Black Ops 6 evidenciam uma dificuldade crescente em gerar picos de engajamento e receita.
Esse cenário reforça rumores antigos, mas cada vez mais persistentes, de que a Microsoft pode estar preparando uma mudança estrutural no papel do Xbox. Analistas e parte da comunidade já especulam que a empresa estaria, aos poucos, se afastando do modelo de console físico tradicional para priorizar uma estratégia centrada em nuvem. O crescimento contínuo do Xbox Cloud Gaming — que recentemente registrou aumento de 45% no uso entre assinantes — e os investimentos massivos em data centers, GPUs e chips próprios de IA fortalecem essa leitura.

Além disso, a estratégia multiplataforma adotada pela Microsoft contribui para essa percepção. Nos últimos meses, a empresa confirmou a chegada de franquias historicamente associadas ao Xbox, como Halo, Fable e Forza Horizon, ao PlayStation 5. Embora oficialmente apresentada como uma forma de “levar jogos a mais pessoas”, essa abordagem enfraquece ainda mais o apelo do console como hardware exclusivo, transformando o Xbox cada vez mais em um serviço, e não em um dispositivo.
Enquanto isso, a nuvem se consolida como o verdadeiro motor de crescimento da Microsoft. A divisão de Nuvem Inteligente gerou US$ 32,9 bilhões no trimestre, mais que o dobro da receita da Computação Pessoal, que inclui Windows, Surface e Xbox. Com a empresa destinando dezenas de bilhões de dólares a infraestrutura de IA e cloud, o contraste com a estagnação do Xbox físico é inevitável. Mesmo sem um anúncio oficial, os números indicam que o futuro da marca Xbox pode estar menos nas prateleiras e mais nos servidores.
Fonte: Microsoft