Mais alguma coisa? Highguard impõe Secure Boot, TPM 2.0 e Easy Anti-Cheat no PC e gera debate na comunidade

Mais alguma coisa? Highguard impõe Secure Boot, TPM 2.0 e Easy Anti-Cheat no PC e gera debate na comunidade

O recém-anunciado Highguard, hero shooter free-to-play desenvolvido por veteranos que passaram por Apex Legends e Titanfall, já chega cercado de discussões antes mesmo de seu lançamento oficial. Previsto para estrear na próxima semana, o jogo exigirá no PC uma combinação específica de tecnologias de segurança: Secure Boot ativado, TPM 2.0 e Easy Anti-Cheat, medidas que, segundo os desenvolvedores, têm como objetivo reduzir drasticamente a presença de trapaceiros.

De acordo com as informações disponíveis na página oficial do jogo na Steam, esses requisitos serão obrigatórios para todos os jogadores. Em sistemas mais modernos, especialmente PCs com Windows 11 e hardware recente, a ativação dessas funções não deve representar grandes obstáculos. Ainda assim, a decisão tem levantado questionamentos relevantes dentro da comunidade.

Uma das principais críticas envolve o uso de anti-cheat em nível de kernel, que concede ao software acesso profundo ao núcleo do sistema operacional. Para parte dos jogadores, isso levanta preocupações relacionadas à privacidade e à segurança, já que o programa passa a operar com permissões elevadas dentro do sistema.

Outro ponto sensível diz respeito à compatibilidade com máquinas mais antigas. Muitos computadores não contam com suporte ao Secure Boot ou sequer possuem um módulo TPM, responsável por armazenar chaves criptográficas. Na prática, isso significa que uma parcela dos usuários simplesmente não conseguirá rodar Highguard, independentemente do desempenho do hardware em outros aspectos.

A situação se torna ainda mais delicada para jogadores de Linux. Embora o sistema possua sua própria implementação de Secure Boot, os desenvolvedores do jogo exigem especificamente a versão integrada ao ecossistema do Windows. Com isso, não há uma solução direta para rodar o título nativamente no Linux, restando apenas alternativas como máquinas virtuais ou serviços de streaming, que não atendem todos os perfis de jogadores.

Apesar da controvérsia, desenvolvedores e especialistas do setor continuam defendendo o uso de anti-cheats em nível de kernel, especialmente em jogos gratuitos. Como o custo para criar novas contas após banimentos é praticamente inexistente, esse tipo de abordagem é visto como uma das formas mais eficazes de conter trapaças em larga escala, mesmo que isso implique em restrições técnicas mais rígidas.

Fonte: PC Gamer