Justiça arquiva inquérito sobre a morte de brutt e não vê negligência da Imperial e Reapers

Justiça arquiva inquérito sobre a morte de brutt e não vê negligência da Imperial e Reapers

A Justiça determinou o arquivamento do inquérito policial que investigava a morte do ex-jogador profissional de Counter-Strike Matheus "brutt" Queiroz Coelho, falecido aos 19 anos em 15 de dezembro de 2019. Após análise da Polícia Civil e do Ministério Público, não foram encontrados indícios de negligência por parte das equipes Imperial Esports e Team Reapers, últimas organizações pelas quais o atleta passou.

A promotora Fernanda Martins Fontes Rossi destacou que não houve relação de causalidade entre as condições de trabalho do jogador e o falecimento. “Em uma análise detida aos autos, verifico que não há indícios de infração penal no caso em tela, tendo em vista que as provas coligidas afastam a hipótese de negligência ou omissão por parte dos responsáveis pela gaming house”, afirmou.

O laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo concluiu que brutt morreu em decorrência de uma encefalopatia aguda causada por toxoplasmose cerebral, uma infecção oportunista do sistema nervoso central. A perícia apontou que o jogador havia levado para casa um gato de rua doente, que pode ter sido a origem do protozoário toxoplasma gondii, transmissor da doença. O relatório também indicou que não havia falhas médicas no atendimento prestado a ele.

Em nota oficial, a Imperial Esports afirmou que a decisão confirma o que a organização sempre defendeu: a inexistência de qualquer ato ou omissão que pudesse ter levado ao trágico desfecho. “As perícias confirmaram a inexistência de negligência e apontaram como causa epidemiológica o contato da vítima com um gato de rua doente, levado por ele próprio para sua residência particular”, declarou o clube.

Já a família do jogador, por meio do advogado Helio Tadeu Brogna Coelho Zwicker, manifestou respeito, mas discordou da decisão. “A perícia realizada foi indireta e apontou apenas uma possível causa, sem esgotar todas as linhas de esclarecimento. Seguiremos avaliando as medidas cabíveis, inclusive a solicitação de diligências complementares, para que a verdade seja apurada de forma completa e transparente”, disse em nota.

Apesar da decisão na esfera criminal, os processos trabalhistas seguem em andamento. A Justiça do Trabalho já condenou a Imperial ao pagamento de R$ 400 mil por danos morais à família, sob o entendimento de que não garantiu ambiente adequado aos atletas e falhou em realizar exames admissionais. A organização recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), onde o caso ainda aguarda julgamento. Já a Team Reapers também foi condenada em segunda instância ao pagamento de R$ 90 mil aos parentes do jogador.

O arquivamento do inquérito criminal foi determinado na última sexta-feira (26) pela juíza Tania Magalhães Avelar Moreira da Silveira, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, após manifestação do Ministério Público.

Fonte: GE