Games podem se tornar artigo de luxo após recentes aumentos, alerta analista
Nas últimas semanas, o mercado de games foi sacudido por dois acontecimentos marcantes: a venda da Electronic Arts e os novos aumentos de preço do Xbox Game Pass. Para o analista Brandon Sutton, da MIDiA Research, esses movimentos refletem uma indústria cada vez mais focada em maximizar lucros — o que pode transformar os videogames em um artigo de luxo para muitos consumidores.
Segundo Sutton, o aumento nos preços não é isolado. Ele aponta que a inflação global, combinada com custos de desenvolvimento cada vez mais altos, tem levado empresas a repassar esses valores ao público. Além disso, o atual cenário de consolidação da indústria, com grandes corporações dominando o mercado, gera uma confiança excessiva de que os consumidores continuarão pagando, mesmo diante dos reajustes.
“O risco, no entanto, é que os consumidores vão começar a ver games como um luxo, e grandes aumentos de grandes companhias podem empurrá-los em direção a alternativas independentes e mais baratas”, declarou o analista em entrevista ao site WCCFTech. Sutton destacou ainda que o cenário econômico global pesa sobre os jogadores, que estão enfrentando custos de vida mais altos e podem acabar priorizando outras despesas.
Ele também acredita que a Microsoft já previa uma possível perda de assinantes ao aumentar o valor do Game Pass, mas que os cálculos internos da empresa apontam para um equilíbrio financeiro positivo, mesmo com parte do público abandonando o serviço. “Os consumidores estão sentindo um aperto financeiro atualmente, então o aumento de preços, combinado com a sensação de confiança quebrada, certamente vai ter consequências mais amplas para a marca Xbox”, explicou Sutton.
O analista ainda comentou sobre os efeitos da compra da Electronic Arts, prevendo demissões e cortes de custos em vários estúdios. Segundo ele, divisões como a BioWare correm risco de fechamento ou venda, enquanto outras áreas devem apostar fortemente no uso de inteligência artificial generativa para reduzir despesas. Sutton lembrou que, mesmo antes da aquisição, a EA já vinha promovendo cortes, especialmente na Respawn Entertainment.
Por fim, ele destacou o papel estratégico da Arábia Saudita na negociação. Para Sutton, o país busca não apenas lucros, mas influência cultural global ao adquirir uma gigante dos games. “Com a EA, eles não apenas compram uma empresa rentável, mas também um canal direto com audiências do mundo inteiro, especialmente graças às franquias esportivas da publicadora”, completou o analista.
Fonte: WCCFTech