Fundador da Eidos Montréal critica indústria atual: “Executivos estão mais focados em planilhas do que em jogos”

Fundador da Eidos Montréal critica indústria atual: “Executivos estão mais focados em planilhas do que em jogos”

O veterano Stéphane D’Astous, fundador e ex-gerente geral da Eidos Montréal, fez duras críticas ao atual cenário da indústria dos videogames. Em uma entrevista recente, o executivo afirmou que os responsáveis pelas grandes decisões do setor estão cada vez mais preocupados com números, planilhas e metas financeiras do que com a paixão por criar jogos, algo que, segundo ele, era muito mais comum há cerca de 15 anos.

De acordo com D’Astous, a indústria passou por uma transformação profunda na última década. O fundador da Eidos Montréal argumenta que grandes grupos de investimento e corporações com enorme poder financeiro assumiram posições de influência que antes pertenciam a profissionais mais ligados diretamente ao desenvolvimento de jogos. Para ele, o perfil dos tomadores de decisão mudou significativamente, tornando o mercado mais orientado por resultados financeiros e menos pela criatividade.

Durante a entrevista, o executivo destacou que empresas e fundos de investimento possuem hoje uma influência muito maior sobre o setor. Ele citou o crescimento de gigantes como a Tencent e o aumento da participação de fundos internacionais no mercado de games como exemplos de uma mudança estrutural que teria alterado a forma como projetos são avaliados e aprovados. Segundo D’Astous, os responsáveis pelas decisões atualmente possuem uma mentalidade que ele descreve como “mais Excel do que paixão”.

O fundador da Eidos Montréal também apontou que muitos dos problemas enfrentados pela indústria atualmente são consequência de investimentos realizados durante o período da pandemia. Segundo ele, diversos projetos receberam financiamento sem uma análise adequada de viabilidade, algo que pode gerar impactos negativos nos próximos anos. D’Astous afirmou que, na época, chegou a se surpreender com algumas iniciativas que receberam recursos, acreditando que parte delas dificilmente teria sucesso comercial.

Outro ponto levantado pelo veterano envolve as expectativas consideradas irreais impostas aos estúdios modernos. Segundo ele, não é raro que equipes recém-formadas recebam a missão de criar jogos com a qualidade e a escala de grandes sucessos da indústria, mas com orçamentos limitados e prazos extremamente apertados. Na visão do executivo, essa combinação tem contribuído para aumentar a pressão sobre os desenvolvedores e reduzir o espaço para inovação e experimentação.

As declarações chegam em um momento delicado para o mercado de videogames, marcado por demissões em massa, cancelamentos de projetos e reestruturações em diversas empresas. Para D’Astous, a busca incessante por crescimento financeiro e maiores receitas tornou o ambiente menos favorável para iniciativas criativas, uma situação que, segundo ele, não demonstra sinais de mudança no curto prazo.

Fonte: PC Gamer