Funcionários do Xbox relatam “alívio” com saída de Sarah Bond e veem mudança de rumo na divisão

Funcionários do Xbox relatam “alívio” com saída de Sarah Bond e veem mudança de rumo na divisão

Relatos publicados pelo The Verge indicam que a recente mudança na liderança do Xbox foi recebida com sentimentos mistos dentro da própria Microsoft, mas que a demissão de Sarah Bond, até então presidente da divisão, gerou um sentimento predominante de “alívio” entre funcionários. Segundo a reportagem, muitos colaboradores viam Bond como a principal responsável por estratégias que não agradavam aos times internos e que vinham sendo mal recebidas tanto dentro quanto fora da empresa.

De acordo com o The Verge, a saída de Bond foi diferente da aposentadoria de Phil Spencer, que já era esperada dentro da organização. No caso da executiva, a decisão teria sido inesperada até para ela própria, o que explicaria a demora na publicação de qualquer pronunciamento oficial após sua demissão. Internamente, a percepção era de que sua posição estava mais estável do que realmente estava, o que tornou a mudança ainda mais impactante nos bastidores.

O “alívio” relatado por funcionários estaria diretamente ligado à estratégia defendida por Bond de afastar o Xbox do foco em hardware e promover a ideia de que “tudo era um Xbox”. Segundo a reportagem, ela apostou fortemente nesse conceito, priorizando uma visão mais ampla de ecossistema e serviços, mas a abordagem não obteve os resultados esperados nem em termos de engajamento do público nem em crescimento sustentável do negócio. O fracasso dessa estratégia teria sido um dos fatores determinantes para sua saída da corporação.

O The Verge também aponta que, mesmo ciente dos riscos, Bond tentou sustentar essa visão moldando cuidadosamente sua imagem pública, buscando se apresentar como uma “gamer”, apesar de essa percepção não ser compartilhada internamente. Sob sua gestão, o Xbox também tentou ampliar sua presença em áreas como nuvem e mobile, mas, apesar de diversos anúncios, projetos como a loja do Xbox para dispositivos portáteis nunca saíram do papel e permanecem em um limbo desde 2024, reforçando a sensação de estratégias mal executadas ou abandonadas no meio do caminho.

Com o fim da era Spencer/Bond, a Microsoft estaria planejando um verdadeiro “reset” estratégico para o Xbox. No entanto, a nomeação de Asha Sharma como nova chefe da divisão de games também gera apreensão interna. Funcionários ouvidos pelo The Verge demonstraram preocupação com a falta de experiência direta de Sharma no setor de games e com seu histórico fortemente ligado à área de inteligência artificial, levantando dúvidas sobre a direção criativa e cultural que a divisão pode tomar.

Há também o receio de que Sharma atue principalmente como uma representante direta de Satya Nadella, com a missão de “executar” o Xbox dentro de uma lógica puramente corporativa — algo que, segundo fontes, poderia igualmente ter sido feito por Matt Booty. Ao mesmo tempo, a executiva é descrita como alguém entusiasmada, com forte capacidade de engajar equipes em torno de visões claras de negócios, característica que muitos consideram essencial para uma marca que atravessa anos de instabilidade, mudanças estratégicas e resultados abaixo do esperado.

O cenário descrito pela reportagem revela uma divisão em transição profunda, marcada por desgaste interno, mudanças de liderança e incertezas sobre o futuro do Xbox. A saída de Sarah Bond é vista por muitos como o fim de um ciclo que não entregou os resultados prometidos, enquanto a chegada de Asha Sharma inaugura uma nova fase que, embora cheia de expectativas, também carrega riscos significativos para o futuro da marca.

Fonte: The Verge