Ex-líder de Assassin’s Creed entra na Justiça contra a Ubisoft e pede quase US$ 1 milhão

Ex-líder de Assassin’s Creed entra na Justiça contra a Ubisoft e pede quase US$ 1 milhão

Marc-Alexis Coté, um dos principais nomes por trás da franquia Assassin’s Creed nas últimas décadas, abriu um processo judicial contra a Ubisoft pedindo quase US$ 1 milhão em indenização. O executivo deixou a empresa no final de 2025 após cerca de 20 anos de carreira, mas agora afirma que sua saída não foi voluntária, e sim resultado do que classifica como uma “demissão indireta”.

Segundo a ação, Coté teve sua posição enfraquecida internamente após anos liderando uma das propriedades intelectuais mais valiosas da Ubisoft. Ele afirma que, embora tenha sido apresentado publicamente como alguém que optou por deixar o estúdio, a empresa teria tomado decisões que tornaram sua permanência inviável, incluindo a retirada gradual de responsabilidades estratégicas.

O desenvolvedor explica que assumiu o comando do destino da franquia em 2022, período marcado por um “reboot estratégico” de Assassin’s Creed. Essa nova fase culminou no lançamento de Assassin’s Creed Shadows, título que, apesar de não resolver os problemas financeiros mais amplos da Ubisoft, teve desempenho comercial sólido e recepção crítica positiva, reforçando a relevância do trabalho realizado sob sua liderança.

De acordo com Coté, o ponto de ruptura ocorreu quando a Ubisoft, com apoio da Tencent, criou a divisão Vantage Studios, responsável por supervisionar as principais franquias da empresa. Nesse processo, foi aberta uma nova posição de chefia para Assassin’s Creed, mas ele não foi escolhido. O cargo acabou sendo ocupado por alguém próximo ao CEO Charlie Guillemot, e havia ainda a exigência de residência na França, o que, segundo Coté, o impedia de concorrer sem mudar completamente sua vida pessoal.

O ex-chefe da franquia afirma que a Ubisoft tentou realocá-lo para a liderança de uma “Casa Criativa” ligada a uma franquia de menor relevância, proposta que ele recusou. Após sua negativa e pedido de desligamento, a empresa teria comunicado publicamente que sua saída havia sido voluntária, algo que ele contesta judicialmente. No processo, Coté sustenta que a perda de status e influência configurou uma quebra indireta de contrato.

Durante sua gestão, Assassin’s Creed passou a adotar ciclos de desenvolvimento mais longos, abandonando o padrão de lançamentos a cada três anos. A mudança tinha como objetivo melhorar a qualidade dos jogos e recuperar a reputação da série, que vinha sofrendo com críticas relacionadas a bugs e desempenho técnico. Agora, o caso promete lançar luz sobre os bastidores dessa transição e pode gerar novos desdobramentos para a Ubisoft.

Fonte: Kotaku