Ex-desenvolvedor descreve rotina na Nintendo como “paraíso para gênios” e “inferno para pessoas medianas”

Ex-desenvolvedor descreve rotina na Nintendo como “paraíso para gênios” e “inferno para pessoas medianas”

Koichi Miura, que integrou a Nintendo entre 2019 e 2023 e trabalhou diretamente no aclamado The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, revelou detalhes marcantes sobre sua experiência dentro da gigante japonesa. Em uma longa sequência de publicações no X, o designer de paisagens descreveu o ambiente da empresa como extremamente estimulante — mas também altamente desafiador para quem não se considera excepcional.

Segundo Miura, a Nintendo é um lugar onde profissionais incrivelmente talentosos se destacam com naturalidade, criando um ambiente que ele define como “um paraíso para gênios e super-humanos”. No entanto, ele admite que essa mesma exigência tornou o trabalho desgastante para perfis “mais medianos”, como ele próprio se descreve. Ainda assim, o desenvolvedor vê sua passagem pela companhia como essencial para entender seus limites e definir novos caminhos.

O ex-funcionário também destacou que não se arrepende da jornada, reforçando: “Este foi o maior ganho que obtive trabalhando na Nintendo. Não tenho um único arrependimento por ter almejado trabalhar lá, conseguido o emprego e, no final, decidido sair.” Ele fez questão de elogiar seus antigos colegas, chamando-os de profissionais excepcionais e reconhecendo o talento do time por trás dos sucessos constantes da empresa.

Em um ponto raro no mercado japonês, Miura revelou ainda detalhes sobre seus salários. Ele afirmou ter recebido mais de US$ 70 mil ao ano na Nintendo, um valor expressivamente maior do que o obtido em passagens anteriores pela Bandai Namco (menos de US$ 40 mil) e Square Enix (mais de US$ 46 mil). A decisão de divulgar os números, segundo ele, tem como objetivo encorajar outros profissionais independentes a buscar remuneração justa conforme os padrões da indústria.

Com carreira iniciada em 1999, Koichi Miura acumula experiências em alguns dos maiores estúdios japoneses. Sua passagem pela Nintendo, segundo ele, foi apenas um dos capítulos mais intensos — e reveladores — de sua trajetória no desenvolvimento de games.

Fonte: 3D