Estúdio de Ashes of Creation fecha as portas e encerra o MMORPG
Após anos de promessas, financiamento coletivo bem-sucedido, fases de testes e expectativas criadas junto à comunidade, o MMORPG Ashes of Creation pode ser considerado oficialmente encerrado. A Interprid Studios, desenvolvedora responsável pelo projeto, fechou suas portas de forma definitiva, colocando um ponto final no desenvolvimento do jogo e resultando na demissão de 127 profissionais, encerrando de vez qualquer perspectiva de continuidade do MMO.
A decisão ocorre menos de duas semanas depois de a própria liderança do estúdio afirmar publicamente que seguiria comprometida com o projeto. Pouco antes do fechamento, Steven Sharif, um dos idealizadores de Ashes of Creation, declarou que havia sido afastado do desenvolvimento por decisão de um suposto Conselho Diretor da empresa, ao mesmo tempo em que a maioria da equipe teria sido demitida. A versão, no entanto, passou a ser questionada pouco depois pelos próprios desenvolvedores e por investigações independentes.
O fim oficial da Interprid Studios foi confirmado por meio de um registro Worker Adjustment and Retraining Notification (WARN), documento obrigatório para empresas que operam na Califórnia. O aviso confirma que 123 funcionários foram desligados sem qualquer possibilidade de realocação, indicando que a empresa deixou de existir juridicamente. Relatos de ex-desenvolvedores apontam que parte da equipe já estava há meses sem receber salários e que nenhum tipo de rescisão contratual foi oferecida com o fechamento do estúdio.
Além do colapso financeiro, a liderança do projeto passou a ser alvo de acusações graves. Desenvolvedores e membros da comunidade apontam possíveis práticas fraudulentas, incluindo o lançamento do MMO em Acesso Antecipado mesmo com problemas financeiros conhecidos internamente. Também surgiram denúncias envolvendo processos por não pagamento de serviços de nuvem, disputas relacionadas a seguros e questionamentos sobre a própria existência do Conselho Diretor citado por Sharif, que teria sido usado como forma de se isentar de responsabilidades legais e financeiras.
O histórico de Steven Sharif também voltou ao centro das discussões, com usuários relembrando seu envolvimento passado com a empresa Xango, um esquema de marketing multinível acusado de vender produtos com promessas falsas de cura para doenças graves. Essas informações intensificaram a desconfiança sobre a condução do projeto e reforçaram a narrativa de má gestão estrutural desde os bastidores do desenvolvimento.
Atualmente, o que resta de Ashes of Creation é apenas sua página no Steam, que já não permite mais a compra do Acesso Antecipado. O título acumula 88% de avaliações recentes negativas, marcadas por críticas à liderança do estúdio, frustração da comunidade e lamentos pelo fim de um projeto que, por anos, foi tratado como um dos MMOs mais promissores da nova geração. O encerramento se torna mais um caso emblemático de grandes promessas no gênero MMORPG que nunca conseguiram se transformar em um produto viável e sustentável.
Fonte: Game Developer