Criador original de Painkiller critica duramente reboot multiplayer da franquia

Criador original de Painkiller critica duramente reboot multiplayer da franquia

Lançado em outubro de 2025, o reboot de Painkiller optou por um caminho bastante diferente do título original, abandonando o foco em campanha single player para apostar em uma experiência multiplayer cooperativa, na qual grupos de jogadores enfrentam hordas de inimigos infernais. A mudança, no entanto, não agradou a todos — especialmente Adrian Chmielarz, um dos criadores da franquia na época da People Can Fly.

Em entrevista ao PCGamesN, Chmielarz revelou que chegou a testar a versão beta do novo Painkiller, mas afirmou que a experiência não o convenceu a jogar a versão final. Segundo ele, praticamente todas as decisões criativas tomadas no reboot vão na direção oposta daquilo que ele considera essencial para a identidade da série. “Eu discordei de todas as coisas que eles fizeram com ele”, afirmou de forma direta.

Apesar das críticas, o desenvolvedor fez questão de separar o projeto das pessoas envolvidas. Chmielarz destacou que não possui qualquer problema pessoal com a Anshar Studios, responsável pelo reboot, elogiando inclusive a postura do estúdio ao oferecer suporte contínuo aos seus jogos e tentar, ocasionalmente, projetos mais ambiciosos dentro da indústria.

O principal incômodo, segundo o criador, está no distanciamento do novo jogo em relação ao DNA do Painkiller original. Embora o reboot reutilize armas clássicas da franquia, ele apresenta um ritmo completamente diferente e prioriza o multiplayer, algo que, na visão de Chmielarz, descaracteriza a essência da obra. Para ele, usar a mesma propriedade intelectual sem preservar seus elementos fundamentais é uma decisão difícil de justificar. “Você pega a propriedade porque acredita que ela tem algo, mas não há traços do DNA daquilo em seu jogo. Isso é estranho para mim”, declarou.

Outro ponto alvo de críticas foi a atmosfera. Chmielarz afirmou que o Painkiller original se levava a sério, mesmo com momentos pontuais de humor, enquanto o reboot trata seus elementos de forma excessivamente descontraída, enfraquecendo o clima de terror que ajudava a definir a experiência. Na avaliação final do criador, o projeto teria se saído melhor se tivesse adotado um novo nome, evitando comparações diretas com um clássico tão marcante para os fãs.

Os números atuais parecem refletir parte dessa recepção negativa. No Steam, o reboot conta com apenas 57% de avaliações positivas, e dados do SteamDB indicam que o jogo vem registrando menos de 50 jogadores simultâneos diários nas últimas semanas.

Fonte: PC Gamer