Criador de Ashes of Creation é acusado de fraude milionária e investidores preparam processo

Criador de Ashes of Creation é acusado de fraude milionária e investidores preparam processo

O MMO Ashes of Creation, lançado em dezembro de 2025 no Acesso Antecipado do Steam, tornou-se o centro de uma grave denúncia de fraude financeira envolvendo seu criador e diretor criativo, Steven Sharif. De acordo com acusações feitas por investidores, o projeto teria sido utilizado como instrumento de enriquecimento ilícito, culminando no fechamento da desenvolvedora Intrepid Studios pouco tempo após o lançamento inicial do jogo.

Em entrevista ao YouTuber NefasQS, o investidor Jason Caramanis, que afirma ter aportado US$ 12,5 milhões no projeto, declarou que Sharif e o diretor financeiro John Moore nunca investiram recursos próprios no desenvolvimento do MMO, apesar de promessas públicas nesse sentido. Segundo ele, ambos retiravam cerca de US$ 500 mil anuais da empresa em salários, enquanto evitavam prestar contas financeiras aos acionistas. Caramanis também relembra que Sharif construiu sua fortuna anteriormente por meio da Jeunesse Global, empresa de marketing multinível frequentemente associada a denúncias de esquemas-pirâmide.

De acordo com o investidor, Ashes of Creation teria captado cerca de US$ 140 milhões em financiamento, somando recursos de investidores privados e uma campanha bem-sucedida no Kickstarter. No entanto, ele afirma que Sharif e Moore passaram quase nove anos evitando auditorias, reuniões formais do conselho e pedidos de transparência financeira. Entre as acusações mais graves, está o uso de dinheiro do estúdio para financiar a compra de uma mansão pessoal, além da utilização da própria empresa como garantia em empréstimos bancários.

A situação financeira da Intrepid Studios já seria crítica desde 2024, com custos mensais estimados em US$ 2,5 milhões e receitas entre US$ 150 mil e US$ 200 mil. No início de 2026, o investidor Robert Dawson, que teria investido mais de US$ 80 milhões no projeto, apresentou um plano de reestruturação que previa a demissão de até 70% da equipe para salvar a empresa — proposta que foi recusada por Sharif. Segundo Caramanis, o diretor criativo teria então retirado cerca de US$ 3,7 milhões arrecadados com o lançamento em Acesso Antecipado diretamente junto à Valve, utilizando parte do valor para quitar dívidas pessoais, o que impediu o pagamento dos salários da equipe e levou o estúdio à falência.

Agora, Caramanis, Dawson e outros investidores afirmam estar preparando um processo judicial de grandes proporções contra Steven Sharif. Embora exista a possibilidade remota de Ashes of Creation voltar a operar no futuro, o clima interno é de ruptura definitiva: muitos desenvolvedores deixaram o projeto sem receber pagamentos e, segundo o investidor, foram manipulados contra os próprios financiadores. O caso se desenha como um dos maiores escândalos financeiros recentes envolvendo o desenvolvimento de MMOs.

Fonte: YouTube / NefasQS