Compra da Electronic Arts pode gerar crise interna e dívida bilionária, alerta analista
A recente venda da Electronic Arts (EA) para um consórcio de investidores privados está longe de ser motivo de comemoração para todos. De acordo com um relatório da Alinea Analytics, a transação envolve uma dívida estimada em US$ 20 bilhões, o que, segundo o analista Rhys Elliott, representa uma verdadeira “bomba-relógio” que pode comprometer o futuro da companhia e de seus funcionários.
Em sua análise publicada na última edição da newsletter da Alinea, Elliott descreve o acordo como “excelente apenas no curto prazo” para os investidores que já possuíam ações da empresa. Isso porque, caso o negócio seja aprovado pelos órgãos regulatórios, os acionistas atuais receberão retornos financeiros imediatos. No entanto, o analista ressalta que o impacto a médio e longo prazo pode ser devastador, especialmente para os estúdios internos da EA e suas equipes de desenvolvimento.
Segundo Elliott, as primeiras consequências da aquisição devem incluir demissões em massa e cortes agressivos de custos, algo típico de processos de compra financiados por dívidas elevadas. Ele explica que a necessidade de pagar os empréstimos contraídos para viabilizar a compra deve forçar a EA a concentrar seus esforços em franquias esportivas e títulos de serviço contínuo, como EA Sports FC e Apex Legends, deixando de lado projetos experimentais ou de longo desenvolvimento.
O analista alerta ainda que estúdios como a BioWare e a Motive podem ser especialmente afetados, seja por fechamentos ou pela venda de suas propriedades intelectuais. Além disso, Elliott prevê uma fuga de talentos dentro da empresa, motivada pela insatisfação de profissionais que não desejam trabalhar sob a direção de um grupo de investidores com capital oriundo do Fundo Soberano da Arábia Saudita.
“Enquanto esse não vai ser o banho de sangue que foi a Toys R Us, o mesmo livro de regras se aplica. LBOs sempre começam com ‘eficiências’, mas eles também sempre terminam com quadros organizacionais cheios de linhas vermelhas”, afirmou o analista. Ele destacou ainda que essa é a investida mais ousada da Arábia Saudita no setor de games até o momento, considerando que o país já possui participações em gigantes como Nintendo, Capcom, SNK, Embracer Group e Take-Two Interactive.
Fonte: Alinea Analytics