Clima interno na Ubisoft se deteriora após reestruturação e funcionários relatam vergonha de trabalhar na empresa
A mais recente reestruturação anunciada pela Ubisoft, que incluiu cancelamentos de projetos e uma nova rodada de demissões, teve um efeito profundo no moral interno da companhia. Em vez de transmitir uma sensação de recomeço, a decisão acabou ampliando o sentimento de frustração entre os funcionários, com muitos relatando vergonha de trabalhar na empresa após mais um capítulo turbulento de sua gestão recente.
Esse descontentamento veio à tona por meio de mensagens publicadas nos fóruns internos da Ubisoft, cujo conteúdo foi compartilhado com o site Kotaku. Segundo os relatos, a maioria dos mais de 15 mil funcionários soube das mudanças praticamente ao mesmo tempo que o público, o que reforçou a sensação de distanciamento entre a liderança e as equipes de desenvolvimento. Para muitos, o anúncio soou como um déjà-vu de processos semelhantes enfrentados em um passado ainda recente.
O Kotaku relembra que a Ubisoft já havia prometido transformações estruturais significativas em 2019, após o fracasso comercial de Ghost Recon Breakpoint. Mais de meia década depois, a empresa volta a adotar um discurso parecido, o que leva parte dos funcionários a enxergar o atual momento como consequência direta de uma gestão que insiste em repetir os mesmos erros estratégicos, sem aprender com experiências anteriores.

Em discussões internas, alguns desenvolvedores chegaram a comparar a postura da empresa a uma das falas mais conhecidas de Vaas Montenegro, vilão de Far Cry 3, que define insanidade como “fazer exatamente as mesmas coisas várias e várias vezes, esperando que algo mude”. Para esses funcionários, a Ubisoft parece presa a um ciclo recorrente de demissões, cancelamentos e promessas de renovação que nunca se concretizam de forma estrutural.
Há também críticas diretas à postura da alta gerência, especialmente no que diz respeito à responsabilização pelas decisões passadas. “Por que a alta gerência não está assumindo responsabilidade por muitos dos erros e equívocos do passado? Em vez disso, somente trabalhadores estão sofrendo as consequências”, afirmou um desenvolvedor em mensagem interna. Outros relatos apontam para a falta de criatividade, a obsessão em seguir tendências de mercado ditadas por concorrentes e a aprovação de projetos em reuniões fechadas, sem transparência clara para as equipes.
Esse cenário é agravado por exemplos frequentemente citados pelos funcionários, como Skull and Bones, que continuou recebendo investimentos mesmo após anos de desenvolvimento problemático, e Beyond Good & Evil 2, que segue oficialmente em produção apesar de seu histórico conturbado. Para muitos dentro da Ubisoft, a nova estrutura anunciada não indica uma mudança real de mentalidade, aumentando a percepção de que os mesmos problemas continuarão se repetindo no futuro próximo.
Fonte: Kotaku