CEO da Moon Studios diz que Xbox está “afundando” e cobra mudanças radicais da nova liderança
A Moon Studios voltou a criticar publicamente a situação da Xbox, desta vez com declarações duras de seu CEO, Thomas Mahler. Comentando a recente nomeação de Asha Sharma como nova líder da divisão, Mahler afirmou que a marca vive um momento crítico e que apenas mudanças profundas e decisões impopulares poderão evitar um colapso ainda maior. Para ele, a executiva assume um cenário extremamente difícil, marcado por anos de estratégias que não entregaram os resultados prometidos.
I wanted to sit down and write a few lines about the recent news of @asha_shar becoming the new head of Xbox.
— thomasmahler (@thomasmahler) February 21, 2026
Moon Studios obviously has a rich history with Xbox, and it’s absolutely fair to say that if the folks at Microsoft hadn’t been early supporters, there’s a good chance…
Mahler foi direto ao descrever o desafio da nova liderança: “Eu não invejo a Asha. Ela vai ter alguns anos incrivelmente difíceis pela frente”, afirmando ainda que, se ela quiser realmente fazer as coisas da maneira certa, assumiu “um trabalho exaustivo e em grande parte ingrato, em que as chances de sucesso são ridiculamente menores do que as chances de fracasso.” Segundo ele, o Xbox deixou de ser um motor relevante de resultados dentro da Microsoft, o que torna sua permanência estratégica cada vez mais questionável do ponto de vista corporativo.
Sob uma ótica financeira, Mahler foi ainda mais incisivo: “Sob uma perspectiva puramente fria e voltada aos acionistas, é justo perguntar, neste ponto, por que a Microsoft — como empresa de capital aberto — ainda mantém o Xbox em seus registros.” Ele destacou que áreas como o Azure geram múltiplos de receita muito superiores aos da divisão de games, argumentando que, embora números não sejam tudo, a discrepância revela um problema estrutural profundo na estratégia da marca.
O executivo também criticou diretamente os resultados da política de aquisições, que consumiu cerca de US$ 80 bilhões nos últimos anos. Para ele, apesar do volume investido, os estúdios comprados ainda não produziram sucessos verdadeiramente transformadores. Sobre o Xbox Game Pass, Mahler afirmou: “O Game Pass deveria alcançar 100 milhões de assinantes nos primeiros anos. Em vez disso, ficou estagnado em torno de 30 milhões.” Nem mesmo a chegada de Call of Duty ao serviço teria sido suficiente: “Colocar Call of Duty no Game Pass provavelmente foi a última grande cartada desesperada — e nem isso realmente mudou o jogo de forma significativa.”
Diante desse cenário, Mahler descreveu a situação atual como assumir “como capitão do barco afundando”, mas afirmou que ainda existe uma chance real de recuperação, desde que decisões duras sejam tomadas. Para ele, o primeiro passo é ouvir a comunidade: “Os jogadores estão extremamente frustrados porque vêm gritando aos quatro ventos o que querem — e sentem que ninguém está ouvindo.” Ele defende que a nova liderança precisa alinhar a estratégia do Xbox às expectativas reais do público.
Além disso, Mahler afirma que mudanças estruturais exigem medidas radicais: “Ela precisa estar disposta a tomar decisões radicais, mesmo que isso a torne impopular no curto prazo.” Segundo ele, quando estúdios internos falham repetidamente em entregar resultados, “cabeças precisam rolar”, indicando a necessidade de reestruturações profundas na gestão e na liderança criativa da divisão.
Por fim, o CEO da Moon Studios afirmou que o Xbox só poderá se recuperar se voltar a lançar jogos verdadeiramente excepcionais e capazes de definir gêneros. “O Xbox vai precisar de jogos realmente excepcionais, que definam gêneros. Qualquer coisa abaixo disso, e o navio continuará afundando.” Ainda assim, ele reconhece que existe uma oportunidade histórica de virada e conclui destacando a importância do equilíbrio competitivo na indústria: “Os jogos estão em uma situação melhor quando há um Xbox forte competindo diretamente com os demais.”
Fonte: Games Industry