Após reação negativa, Larian abandona IA generativa em artes conceituais de Divinity
Anunciado durante o The Game Awards 2025, Divinity rapidamente chamou atenção por marcar o primeiro grande projeto da Larian Studios após o sucesso de Baldur’s Gate 3. No entanto, o entusiasmo inicial acabou sendo acompanhado por críticas, depois que o estúdio confirmou que estava experimentando o uso de IA generativa em partes do desenvolvimento, especialmente na fase de exploração visual.
Durante um AMA no Reddit, realizado semanas após a polêmica ganhar força, o diretor Swen Vincke esclareceu a situação e confirmou uma mudança de postura. Segundo ele, a Larian decidiu não utilizar mais qualquer ferramenta de IA generativa na criação de artes conceituais do novo RPG, justamente para evitar novas dúvidas ou interpretações equivocadas por parte do público.
“Eu sei que houve muita confusão sobre nós usarmos ferramentas de IA como parte da exploração de artes conceituais. Já dissemos que isso não significa que os conceitos em si são gerados por IA, mas entendemos que isso causou confusões”, explicou Vincke. Em seguida, ele reforçou a decisão: “Para garantir que não haja espaço para dúvidas, decidimos que não vamos usar ferramentas de genIA durante o desenvolvimento da arte conceitual. Dessa forma, não poderá haver qualquer discussão sobre a origem dessas artes.”
Apesar disso, a Larian deixou claro que não pretende abandonar completamente a IA generativa. Vincke afirmou que a tecnologia seguirá sendo testada internamente em outros departamentos, sempre com o objetivo de acelerar protótipos e ciclos de iteração. “Quanto mais iterações pudermos fazer, melhor vai ser o gameplay em geral”, destacou o diretor, explicando que a IA pode ajudar a refinar ideias mais rapidamente, desde que usada de forma responsável.

O executivo também garantiu que nenhum conteúdo criativo será incorporado ao jogo sem total controle sobre sua origem. Segundo ele, qualquer modelo de IA utilizado será treinado exclusivamente com materiais autorizados, respeitando o consentimento de seus criadores e evitando problemas legais ou éticos.
Outro ponto importante abordado no AMA diz respeito à narrativa. Adam Smith, responsável pelos roteiros de Divinity, confirmou que IA generativa não será usada para criar diálogos, textos ou histórias. De acordo com ele, os testes realizados apresentaram resultados muito abaixo do padrão exigido pelo estúdio, chegando, no máximo, a uma avaliação de “3 de 10”.
A decisão da Larian reflete um debate cada vez mais intenso dentro da indústria de games. Enquanto grandes publishers como Electronic Arts e Activision avançam no uso de tecnologias generativas, outros estúdios seguem cautelosos ou abertamente contrários. No caso de Divinity, a mudança de rumo indica que a Larian optou por priorizar clareza, confiança do público e controle criativo total em um de seus projetos mais importantes.
Fonte: VGC